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Sexta-feira, 17 de Abril de 2026
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Relacionamento

Felizes? Sempre! Juntos? Talvez!

Gislene Teixeira

Gislene Teixeira
Por Gislene Teixeira
Felizes? Sempre! Juntos? Talvez!
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Quando o relacionamento termina mas o casamento não. O abandono acontece  dentro da própria casa, debaixo do mesmo teto. O mesmo teto que outrora já fora ninho de amor. Já abrigou sonhos, planos, fantasias, desejos e prazeres. 

Que ainda dividem a cama, dormem juntos, se aquecem do frio debaixo do mesmo cobertor mas ali existe uma “cerca virtual”. Cerca esta que separa os que antes já foram um casal, e ali agora, há apenas duas pessoas: sem vínculo, sem afeto, sem sonhos para serem sonhados juntos. 

Ali repousa entre eles, como uma criança que dorme entre os pais na cama do casal. Ali está o abandono afetivo e o desfacelamento de vínculos.

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Situação bastante delicada, sensível, e que por vezes, é calada e silenciada pelo medo de magoar o outro, de se magoar, pela falta de coragem de magoar pelas incertezas que estão por vir. 

E ali, então, revestem-se de silêncios, frases não ditas, verdades engolidas, sonhos despedaçados…

Vivem juntos, porém, separados. Compartilham a vida recheada de incertezas. O que não é dito, com certeza, é potencializado pela ansiedade, pela imaginação que pode amenizar ou potencializar  o que pode vir a ser, ou nunca será. Quem sabe? 

Ninguém sabe, afinal silêncios calam palavras, calam vozes, entretanto, acontece o fenômeno dos gritos do silêncio, que ecoam aos berros as palavras não ditas, as vozes caladas, o abandono compartilhado no sentido do cotidiano, do dia a dia, das amenidades, trivialidades, no silêncio rompido por diálogos monossilábicos.

Diálogos monossilábicos rompidos no café da manhã, com um mero: “passa a manteiga, por favor”. Assim, o silêncio tem camadas, esferas, classificações, recortes, vieses e diferentes interpretações.

Há o silêncio acolhedor, aconchegante, que é silêncio que se faz presente e presença, é vínculo, afeto e laço.  Há outros silêncios que os gritos ecoam trazendo sofrimento à alma, apesar de inaudível e invisível.  Há silêncios punitivos, violentos mas ainda são silêncios. Esses deitam a cabeça no travesseiro e dividem a cama e passam a noite com você.

Fácil? Não, nunca é, mas é “um pouco” mais fácil, quando termina o que acabou, encerra o que já finalizou  faz tempo, ainda que não tenha sido comunicado a nenhuma das partes. 

Difícil é a ausência de clareza, de transparência, de certezas e verdades.  “Um pouco” mais fácil, é viver o luto do fim, do que acabou, do amor que acabou, do companheiro de vida que foi embora, do divórcio, da separação, do vazio. Da casa vazia, do quarto vazio, do guarda-roupa e gavetas vazias, da cama e da vida vazia. 

Difícil mesmo é olhar para o lado e ver a casa, o quarto, a cama, a vida preenchida, ocupando um lugar e a vida lotada de vazios. Paradoxalmente, vazios cheios de memórias vivas, palpáveis, presentes com cor, cheiro, vozes e até toques. Embora não existam mais, sim, difícil explicar, difícil entender, difícil sentir, difícil viver.

Fins que não se acabam, fins que se arrastam, vozes caladas que ecoam ali ao seu lado, dividindo o sofá, o edredon, o pote de pipoca, enquanto assistem ao último episódio da série preferida. 

A pior solidão é a que você vê, enxerga e até consegue apalpar. É tangível, é visível, é crível que há dois mas na verdade, há apenas um, sozinho ao lado de outro um, também sozinho. 

Como dois estranhos que sentam lado a lado na poltrona do avião, que compartilham uma longa viagem. Conversam, riem, compartilham histórias, até brindam com uma taça de vinho o que está por vir naquela linda viagem. Dali a pouco, um dorme ao lado do outro, pode até mesmo em um descuido, por um instante, encostar a cabeça no ombro do outro. Entretanto, quando alguém pergunta: vocês são um casal, estão juntos, né? A resposta, é: Não! 

Assim, os espaços se enchem de vazios, de vontades, de saudades, de dois sozinhos. Um esperando o momento certo, propício, o melhor momento para tomar a decisão que é difícil de tomar, falar, que dá um nó na garganta, um bug na mente, um aperto no peito, acelera o coração e diante de tantas incertezas, vem a única certeza: ainda não! Não, por hoje! Hoje ainda, não!

A outra parte não sabe se consegue entender os gritos do silêncio, as ausências, os vazios, a carência, ainda que disfarçados de gentilezas e presença. Acredita na verdade, quer acreditar, que talvez seja apenas “coisas da sua cabeça”, que insiste em imaginar coisas.  Lembra do ditado antigo: “procurando chifre na cabeça de cavalo”. 

Se nada foi dito, logo, nada há que ser dito. É uma fase, e sim, tudo vai passar e voltar a ser diferente. Quer dizer, a esperança é de que volte a ser tudo igual, tudo como era antes, tudo como sempre foi. Ainda que esses desejos e esperanças sejam em vão. 

Em vão, parece ser também tudo que vivem mas passou. Certeza? Nenhuma! Nem se sabe ao certo, o que está vivendo hoje, no aqui e no agora. O que viveu não faz mais sentido, o que está por vir, talvez. Com o andar da carruagem, talvez não venha. Tudo o que se tem, de fato, de verdade, é o que se tem agora. E o que se tem agora, é apenas silêncio, vazio, solidão e incertezas. 

Ainda quando caminham juntos, até de mãos dadas pelo calçadão da praia, no final de tarde com o vento esvoaçando os cabelos e congelando os sorrisos. Tudo o que se tem é silêncio, vazio e solidão, ainda quando dormem de conchinha, aquecendo os pés no outro em uma madrugada gelada de inverno. 

O que se tem é silêncio, vazio e solidão, ainda quando traz aquele pão quentinho no final da tarde e pede para passar um cafezinho fresquinho, com os grãos moídos na hora, quando o aroma de café invade a casa. E assim, em silêncio ou com amenidades, é como a rotina ali, são digeridos entre um gole e outro de  café quente, mesa cheia, em uma relação fria e vazia.

Amanhã tem outro café moído na hora, outro pãozinho quentinho, outros vazios cheios de silêncios. Até quando? Até quando um dos dois, suportar os gritos do silêncio, das ausências, dos vazios, da carência. Carência de beijos, abraços, afetos, verdades, de vida!  Sim, a vida vai continuar acontecendo, um dia após o outro, juntos ou separados, ou juntos e separados. Quem sabe? 

Quem sabe, como? Você, ele, ela, vocês, os dois, um dos dois. Não sei! Quem sabe, então? Converse com o silêncio, esse que grita e ecoa aos seus ouvidos. Entenda, interprete, reflita. Depois, compartilhe com a outra parte, onde é a fonte, onde nasce o silêncio. 

Só assim, poderão silenciar de vez, calar de vez ou gritar de vez. Gritar? O que? Não sei, quem sabe o grito de liberdade, de fica ou de vai! Talvez, de “agora vai ser diferente” ou “agora vai ou racha”. Ainda quem sabe, não cabe algo mais inusitado e apropriado talvez um grito personalizado, feito sob medida, que vista bem às necessidades de felicidade, amor, afeto, atenção e vida, para vocês dois! 

Se vocês dois juntos ou separados? Não sei! O importante que sejam felizes, juntos ou separados. Afinal, a vida passa rápido e ser feliz, amar e ser amado, não tem lista se espera! 

Gislene Teixeira

FONTE/CRÉDITOS: De Fato News
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Publicado por:

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