Felizes para sempre.
Sempre?
Felizes para sempre, antes só que mal acompanhado, até que a morte nos separe, que seja eterno!
Com certeza, ouvimos esses ditados desde criança e um ou outro, acreditamos e repetimos.
Ah e eu esqueci a versão de “antes só que mal acompanhado”, tem aquela que penso ser daquelas que valem anos de terapia: “antes só, que juntos e desacompanhados”.
“Antes só, que juntos e desacompanhados”, não faz o menor sentido, isso! Quando estamos em um relacionamento, queremos, desejamos, almejamos, dividir, compartilhar a cama, mesa, banho, sonhos, projetos de vida, a VIDA!
Felizmente, essa máxima “antes só, que juntos e desacompanhados”, não é uma regra, e não se encaixa em todos os relacionamentos.
Há sim muitos relacionamentos felizes, no qual há felicidade, alegria, companheirismo, parceria, amor, respeito, admiração e tantos outros elementos que fazem da vida a dois, não um mar de rosas, não uma vida perfeita.
Afinal, vida perfeita não existe mesmo, e a dois , menos ainda, mas sim, é possível, muito possível.
Fato é, que verdade seja dita. Assim como existe o “Felizes para sempre”, bem essa simples frase, com toda certeza, traz elementos suficientes para desenvolver uma bela tese de doutorado.
Afinal, o que é ser feliz? O que é felicidade? Onde mora a felicidade? Quanto tempo dura? Como alimentá-la? Como e quando identificar que ela não está “dando as caras”, dando o “ar da graça”, como antes?
E tantas outras perguntas sobre o “felizes para sempre”, sim, parecem perguntas satíricas, mas não, não é esse o intuito.
Ah! E ainda tem o “para sempre”, por si só, “para sempre”, já é imensurável, mas quando colocado na mesma frase: “felizes para sempre”…
Eita! Pode render umas boas sessões terapêuticas, não é mesmo?
De um jeito ou de outro, na vida prática, aquela real, de verdade mesmo, a gente não para para pensar em nada disso.
Na vida real, a gente “só vai”! O que a gente quer mesmo, é apenas viver o nosso “felizes para sempre”, felizes, em paz e sem querer entender ou explicar tudo, ou nada, coisa nenhuma, coisa alguma, tanto faz!
Utopia? Pois, que seja! Há coisas na vida, que a gente até entende mas para viver mesmo de verdade, viver “como se não houvesse amanhã”, como diz a música “Pais e filhos” , de Renato Russo.
Chegamos ao dilema universal: quem nasceu primeiro? O ovo ou a galinha? E aqui parafraseando: A arte imita a vida ou a vida imita a arte?
Não sei, “só sei que nada sei”, como disse o filósofo grego Sócrates. Tudo o que sei, do pouco que sei, é que para viver “felizes para sempre”, há de se ter uma certa dose (cavalar, é verdade) de utopia, ilusão, de sim, aprender a ceder, negociar.
Se não aprendeu ainda, estude a “arte de negociar”. Ah! Aproveite a ida à livraria e compre também livros sobre “comunicação assertiva”. Lembrando que cada vez mais, as pessoas buscam por aprenderem técnicas de “oratória”, para se dar bem na vida. Quando na verdade, deveriam em muitos casos, aprender sobre “escutatória”.
Aprenda, de tudo, tudo é válido, mas para viver o “felizes para sempre”, aprenda mesmo duas coisas:
- Não racionalize tudo, não queira ter respostas, certezas e teses e explicações para tudo.
- não racionalize tudo! Apenas VIVA!
Não, não estou sugerindo que seja alienado, e fora da realidade, nem que “tape o sol com a peneira” e nem que aceite tudo.
Estou dizendo que nem tudo deve ser tratado “a ferro e fogo”. Portanto, entre “tapar o sol com a peneira” e “levar tudo a ferro e fogo”, há de se ter equilíbrio.
A senha para relacionamentos saudáveis, longevos e funcionais é o: equilíbrio!
Quanto ao “Felizes para sempre”… para sempre? Para sempre, é quanto tempo? Como vejo no calendário? Para sempre é uma data, um estado de espírito, uma fantasia, um desejo?
O que é “para sempre”? Quanto tempo dura o “para sempre”, você sabe? Eu não sei. Como já disse a pouco, tudo o que sei, é que nada sei.
Então, vou compartilhar com você, apenas o pouco que sei, do que entendo ser o “equilíbrio”.
Nesse “equilíbrio” , entendo que a “receita” seja:
- viva o “para sempre”, hoje , se der certo, viva amanhã, depois de amanhã, depois de depois de amanhã…
- aprendi que “para sempre”, e o que “seja eterno enquanto dure”, e que dure enquanto tiver que durar. Seja uma noite, um final de semana, uma temporada, um carnaval, dois natais, um verão, dois invernos, quatro primaveras, vinte outonos… nunca saberemos quando é o nosso “para sempre”, tampouco, o nosso “eterno enquanto dure”.
Ainda assim, desejo que o meu, o seu, o nosso “que seja eterno enquanto dure”, que dure enquanto durar o amor, respeito e admiração.
Afinal, para que alguém vai querer viver para sempre e até que a morte os separe, em um relacionamento que o amor, respeito e admiração, já não existe mais?
Quando esse tripé, essa “poção mágica” se vai, não há mais razão de ser, estar, ficar e permanecer nesse relacionamento.
Deixa de ser um relacionamento por escolha, desejo e prazer. Onde existia vínculo, aliança e propósito, passa a ser “encarceramento”de si e do outro.
E quem é que vai desejar viver no cárcere do corpo, mente e alma “para sempre”, até que a “morte os separe”?
Eu não sei você, mas eu espero que você viva o seu “para sempre” por hoje, e se for bom, repita amanhã , depois de amanhã, mas no dia que vir que não há razão, motivos para repetir no dia seguinte, porque a “despensa do dos afetos” está esvaziada dos ingredientes essenciais para alimentar o corpo, mente, alma e manter as alianças, vínculos e propósitos, então, você terá que decidir, se há razões para ir ou para ficar…
A decisão é sua, há quem acredite no “milagre do amanhã”, em Fênix, não sei em que você acredita. Ainda assim, só desejo, peço e clamo que você acredite em VOCÊ!
E que nutra o amor mais genuíno e essencial, que é o amor-próprio. Ame-se, e que esse sim, “seja para sempre”.
Quando estiver em dúvida do que fazer, olhe para dentro, e as respostas sempre estarão dentro de você. Aprenda a se escutar, amar, e se respeitar. O restante, será APENAS consequência de suas escolhas.
Ah! Antes de me despedir de você, quero te pedir um favor. Vai ali e coloque um lembrete na porta da geladeira, depois um post-It no cantinho da tela do computador e por fim, escreva no espelho do banheiro, com batom vermelho:
AME-SE!

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