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Sexta-feira, 17 de Abril de 2026
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Peixe que “caminha” em terra, respira ar e até sobe em árvores inclinadas

o climbing perch desafia a biologia ao sobreviver horas fora d’água e dominar arrozais, lagos e rios

Sérgio Mendes
Por Sérgio Mendes
Peixe que “caminha” em terra, respira ar e até sobe em árvores inclinadas
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Peixe climbing perch respira ar, caminha em terra, sobe em árvores inclinadas e sobrevive horas fora d’água, intrigando biólogos no Sudeste Asiático.

Enquanto a maioria das pessoas imagina peixes como animais totalmente dependentes da água, o climbing perch (Anabas testudineus) subverte quase todas as expectativas biológicas: ele respira ar atmosférico, caminha em terra firme, desloca-se entre poças e arrozais, sobrevive horas fora d’água, e ainda pode subir sobre raízes e árvores inclinadas usando uma combinação peculiar de nadadeira peitoral, operculum e corpo úmido. O comportamento é tão incomum que, desde o século XIX, naturalistas registram o climbing perch como um “peixe que anda”. Hoje ele é estudado por universidades e instituições da Ásia por suas habilidades anfíbias, sua fisiologia resistente e seu impacto ecológico.

Geograficamente, ele é comum em Índia, Bangladesh, Mianmar, Tailândia, Camboja, Malásia, Indonésia e Vietnã, onde ocupa arrozais, canais, pântanos e corpos d’água temporários.

Como um peixe respira ar? O órgão labirinto explica

Uma das chaves da sobrevivência do climbing perch fora da água é um órgão especializado chamado labirinto, uma estrutura respiratória extra que permite absorver oxigênio diretamente do ar, semelhante ao que ocorre com alguns anfíbios em fase adulta.

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Esse órgão compensa condições em que:

  • a água está pobre em oxigênio
  • há seca temporária
  • o peixe precisa atravessar lama, solo ou vegetação

Essa adaptação transforma o climbing perch em um peixe anfíbio funcional, capaz de explorar territórios onde outras espécies simplesmente morreriam asfixiadas.

Caminhar em terra e ‘subir em árvores’: técnica e limites

O climbing perch não escala troncos lisos na vertical como um lagarto, mas pesquisadores já documentaram o peixe subindo raízes expostas, vegetação baixa e troncos inclinados, especialmente em margens alagadas e arrozais com árvores.

A locomoção em solo firme ocorre de duas formas:

  • Golpes laterais do corpo, empurrando o peixe para frente
  • Uso alternado das nadadeiras peitorais, aumentando o controle direcional

Em condições úmidas e sombreadas, ele pode permanecer fora d’água por até 6 horas, desde que mantenha a pele e as brânquias úmidas para permitir trocas gasosas.

Por que um peixe anda em terra? A resposta está na sobrevivência

A habilidade de caminhar tem um objetivo claro: migrar entre corpos d’água temporários. Esse comportamento é essencial em regiões monçônicas do Sudeste Asiático, onde arrozais secam e enchem ciclicamente. O climbing perch aproveita:

  • chuvas
  • lama úmida
  • vegetação densa
  • raízes e troncos inclinados
  • sulcos de irrigação

para colonizar novas poças, lagos e canais antes que predação ou seca o eliminem.

Por isso é tão difícil erradicar a espécie quando ela invade sistemas agrícolas.

O domínio dos arrozais: biologia e agro no mesmo palco

A maior parte dos registros comportamentais do climbing perch vem de arrozais inundados, onde o animal:

  • se alimenta de insetos e invertebrados
  • resiste a degradação de oxigênio migra entre talhões
  • sobrevive à estação seca
  • encontra predadores reduzidos

Esse conjunto de fatores faz do arrozal um ecossistema ideal para a expansão da espécie — e um desafio para agricultores que tentam proteger seus estoques de peixes nativos.

Impacto ecológico e medo de invasões

Em países como Papua Nova Guiné e Austrália, autoridades ambientais temem a entrada do climbing perch exatamente por suas características invasivas. Uma vez estabelecido, ele poderia:

  • deslocar peixes nativos
  • competir por recursos
  • sobreviver a secas
  • migrar entre corpos d’água
  • resistir a baixa oxigenação

Alguns relatórios descrevem tentativas de transporte em trens de carga e embarcações de pesca, porque o animal pode viver por horas em caixas úmidas sem água — aumentando o risco de disseminação acidental.

O que a ciência ainda quer entender sobre o climbing perch

Pesquisadores ainda investigam:

  • limites do tempo fora d’água
  • eficiência respiratória do órgão labirinto
  • mecanismos de locomoção em diferentes superfícies
  • resistência fisiológica a estresses térmicos
  • impacto invasivo em ecossistemas não asiáticos

A espécie também interessa à biotecnologia e à fisiologia comparada por ser um modelo vivo de transição anfíbia, algo que remete a processos evolutivos antigos.

Um peixe que redefine os limites da categoria “peixe”

O climbing perch é um lembrete vivo de que a natureza não respeita nossas categorias simples. Ele nada, respira ar, caminha, sobe vegetação, migra, sobrevive à seca e ainda domina corredores agrícolas humanos.

Para agricultores asiáticos, é um componente quase inevitável do sistema monçônico. Para biólogos, é um modelo evolutivo extraordinário. E para ambientalistas, é um potencial invasor de alto risco.

Poucos animais mostram tão claramente que a vida encontra um caminho mesmo quando envolve caminhar em terra com nadadeiras.

FONTE/CRÉDITOS: https://clickpetroleoegas.com.br/
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Sérgio Mendes

Publicado por:

Sérgio Mendes

Sérgio Mendes, brasileiro, 62 anos, Jornalista (MTB 64.505/SP), Terapêuta Fitoterápico e ambientalista há 47 anos.

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