Você é da bolha do “só por hoje”?
Apego não é amor! Há quem diga que o sustentáculo do relacionamento é o amor. E há quem sustente que é o relacionamento o sustentáculo do amor.
Penso que possa ser ambos, cada um em sua real medida, nem mais e nem menos. Há de se ter equilíbrio, e na justa medida, cada um valer sua importância, no momento certo, nos reais porquês e para quês.
Há de se ter clareza na real distinção entre amor e apego, a depender, até mesmo o rol de dependências, e não confundir, mero casamento, estado civil com relacionamento. Afinal, relacionamento é muito mais profundo e complexo.
Estado civil, é mera formalidade, aquela que o “papel” aceita, valida e suporta. Aquela formalidade que mesmo que o relacionamento fracasse e esvazie-se , em essência, que apenas o tempo suporta, tolera, arrasta como formalidade ancorada.
Muitas vezes, formalidade ancorada, exigida e perpetuada pela sociedade, família, religião, finanças, ego, necessidade, fantasia de ter, manter, existir, viver um conto de fadas da vida real.
Sim, há quem passe por cima de si mesma, dos filhos, da própria segurança física, mental, psicológica, afetiva, financeira para viver aquilo que um dia idealizou como verdade real.
Há quem troque a vida real, pela vida ideal, idealizada, sonhada, desejada, fantasiada e assim, vive a sonhar, que um dia…
Um dia, é sabido, vivenciado, experienciado, sentido na pele, carne, corpo e alma que esse dia, não é o dia de hoje.
Ainda não é hoje, quem sabe, talvez seja amanhã. E entre a esperança do hoje e o do amanhã, vive-se um dia de cada vez. Assim como é nos grupos de apoio para alcoolismo, obesidade, dependências em geral, no qual, após exaustivas e insistentes mensagens de apoio coletivo, faz-se entender que você não está sozinho. Que essa mesma dificuldade, dor, angústia, desespero, desconforto, desajuste, desesperança, que você vivencia, também é vivenciada, experienciada e vivida na carne de outras tantas pessoas que você conhece.
E qual é o lema, o mantra, a verdade que lhe fazem acreditar? Amanhã será melhor, diferente, um passo de cada vez, melhoria em doses homeopáticas e a máxima que se fecha com chave de ouro: só por hoje!
Só por hoje! Só por hoje tolere um casamento ruim, só por hoje tolere o desrespeito, só por hoje tolere a falta de amor, só por hoje tolere a falta de parceria, relacionamento disfuncional, só por hoje tolere mais um dia ruim, só por hoje tolere a falta de carinho, de empatia, de respeito. Só por hoje tolere abusos, destratos, maus tratos, descasos, desafetos, desamores, desatenção, desaforos, desatenção.
O “só por hoje”, já dura quanto tempo na sua vida, na sua casa, na sua pele, na sua alma?
Sim, você já está tão acostumada com o tal “só por hoje” que lhe faz acreditar ser a única esperança de que dias melhores virão, que é apenas uma fase ruim, uma crise, um momento difícil, e que sim vai passar.
Assim, mantenha seu mantra do “só por hoje”, mas traga ao seu “só por hoje” novas verdades, novas realidades, novos significados, uma nova roupagem.
Nessa nova temporada do “só por hoje”, só por hoje valorize-se, só por hoje ame-se, cuide-se, proteja-se, mexa-se, trabalhe, estude, divirta-se, aprenda, ensine, viva.
Só por hoje, seja sua inspiração, só por hoje seja sua melhor versão, só por hoje, coloque seu melhor vestido, seu melhor terno, seu melhor sapato, seu melhor perfume. Só por hoje vá para a frente do espelho e olhe bem no fundo dos seus olhos e enxergue o quão valoroso, precioso, nobre, sofisticado você é para você mesmo.
Só por hoje, enxergue que você é gente, que você respira, sonha, tem desejos. Desejo de viver, de ser vista, respeitada, amada, admirada, querida.
Só por hoje, enxergue que apego não é amor, desprezo não tem a ver com cansaço, com falta de dinheiro, com estresse do trânsito, do chefe, do cliente, dos boletos.
Só por hoje, enxergue para além dos horizontes, só por hoje construa pontes e não muros, só por hoje ouse, atreva-se a fazer uma pausa, se preciso for, deixe a louça na pia, a roupa para lavar no cesto. Desligue-se disso, por alguns instantes. Ligue o som, coloque uma música, respire, inspire, relaxe, deite, se quiser dance. Sinta que você está viva, que é gente, que sente, que vibra, que pulsa, que vive.
Só por hoje, permita se enxergar, se respeitar, ser você. Só por hoje, hoje, só por hoje, amanhã, só por hoje depois de amanhã, só por hoje, depois de depois de amanhã, entenda que você é única.
Você não me conhece mas posso te pedir uma coisa? Promete que vai fazer? Não, não é por mim e nem para mim.
Promete que só por hoje você vai se amar, se respeitar, entender que você é a pessoa mais importante da sua vida. Só por hoje, você vai ser feliz, e desapegar de tudo aquilo que lhe rouba o sorriso e sequestra a esperança, o sonho, os prazeres da vida.
Não é um pedido tão difícil assim, mas lembre-se que o só por hoje, deve ser repetido amanhã, depois de amanhã e depois de depois de amanhã…
Apego não é amor, desrespeito não é amor, falta de atenção não é amor, e não permita viver assim, nem que seja “só por hoje”.
Antes fiz um pedido, agora vou ousar lhe dar uma ordem:
Faça valer que o seu “só por hoje” para o que não lhe faz bem, morreu ontem, transformou-se no “foi só até ontem”.
As pessoas nos tratam como nos permitimos que elas nos trate. E somos nós quem ensinamos como aceitamos, permitimos e validamos como seremos tratados.
Ser bem tratada, mal tratada ou destratada, não é sobre o outro, é sobre como nós permitimos e aceitamos ser tratadas.

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