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Terça-feira, 28 de Julho de 2026
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Advocacia

Todo acusado merece defesa — mesmo nos crimes mais graves

Dr. Roberto Parentoni

Dr. Roberto Parentoni
Por Dr. Roberto Parentoni
Todo acusado merece defesa — mesmo nos crimes mais graves
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No coração de um Estado Democrático de Direito está um princípio inegociável: todo acusado tem direito a uma defesa técnica e plena. Essa garantia não é um prêmio à impunidade. É um escudo civilizatório que protege a sociedade contra o arbítrio, o erro e os excessos.
O tabu da defesa criminal: quando a emoção tenta calar a razão
É comum ouvir a pergunta: “Como alguém consegue defender uma pessoa acusada de um crime tão grave?”
Mas essa pergunta revela um equívoco perigoso — o de confundir o advogado com o ato criminoso. Quem atua na defesa não está ali para aprovar o crime, mas para garantir que o processo seja justo, que a verdade seja apurada com equilíbrio e que os direitos fundamentais sejam respeitados.

Sem defesa, não há Justiça — há linchamento.
O julgamento começa antes do tribunal
Na prática, muitos acusados são julgados pela opinião pública antes mesmo de apresentar qualquer prova. A mídia, os comentários nas redes, a pressão social... Tudo isso cria um cenário de condenação antecipada. E é exatamente nesse cenário que a defesa se torna ainda mais essencial — para reequilibrar a balança.
A missão do advogado criminalista: proteger a dignidade, não o crime
O advogado criminalista não defende o crime, defende o ser humano que está diante da acusação. Atua para garantir que todas as fases do processo sejam respeitadas. Que nenhuma prova seja construída de forma ilegal. Que nenhum inocente seja condenado. E que mesmo os culpados recebam uma pena proporcional, sem abusos, sem excessos.
É um trabalho técnico, ético e muitas vezes solitário — mas absolutamente essencial.
Sem defesa, o sistema colapsa
Imaginemos por um instante um processo penal sem advogado de defesa. Teríamos promotores apresentando acusações, juízes decidindo, e ninguém para contestar, fiscalizar, questionar. Isso não é Justiça — isso é autoritarismo.
A defesa é o que separa um julgamento justo de uma condenação automática. E isso vale para todos, inclusive nos crimes mais graves.
Justiça não é vingança. Justiça é equilíbrio.

Por mais doloroso que seja o crime, por mais intensa que seja a dor da vítima, o sistema não pode se afastar de seus princípios. O papel da Justiça é aplicar a lei com serenidade, não agir com ódio. E o papel da defesa é garantir que essa serenidade seja mantida, mesmo sob pressão.
O valor cristão da escuta e da dignidade humana
No Evangelho, vemos um ensinamento profundo: antes de julgar, é preciso ouvir. Antes de condenar, é preciso compreender. Defender alguém acusado de um crime grave é, também, um ato de fé na capacidade da Justiça de não se perder nos próprios impulsos.
Conclusão: defender é proteger a civilização
Defender todo acusado — inclusive os mais estigmatizados — é um compromisso com a ordem constitucional, com os direitos humanos e com o futuro da própria democracia.
A defesa não é obstáculo à Justiça. Ela é a própria expressão dela.

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Fraterno abraço,


Roberto Parentoni
Advogado criminalista

FONTE/CRÉDITOS: De Fato News
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Dr. Roberto Parentoni

Dr. Roberto Parentoni é advogado criminalista desde 1991 e fundador do escritório Parentoni Advogados. Pós-graduado pela Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie, é especialista em Direito Criminal e Processual Penal

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