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Quarta-feira, 28 de Outubro de 2026
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Advocacia

Acusar não é desumanizar

Dr. Roberto Parentoni

Dr. Roberto Parentoni
Por Dr. Roberto Parentoni
Acusar não é desumanizar
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No processo penal, há um risco que se repete:
confundir o nome da pessoa com o nome do crime.
Reduzir o ser humano à acusação.
Esquecer que, por trás de todo réu, existe alguém com história, família, contexto — e dignidade.

Mas acusar não é desfigurar.
Não é apagar.
Não é desumanizar.

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A Justiça existe para apurar responsabilidades.
Jamais para esmagar identidades.

O rótulo não pode valer mais que a verdade

Quando a sociedade se apressa em julgar antes do processo, antes da escuta, antes da análise — o que se estabelece não é Justiça.
É condenação sem alma.

A acusação precisa ser tratada com seriedade, sim.
Mas não pode anular o que existe além dela: a condição humana.

E o advogado criminalista, nesse cenário, é muitas vezes a única voz que insiste em lembrar disso.
Insiste em tratar o acusado pelo nome, e não pela manchete.

O papel da defesa: manter acesa a luz do equilíbrio

Em tempos de cancelamentos e linchamentos digitais, defender alguém é nadar contra a corrente.

Mas é esse o papel: garantir que a Constituição não se dobre à opinião pública.
Que o processo não vire espetáculo.
E que o direito de todo ser humano ser ouvido com respeito seja preservado.

Porque Justiça sem compaixão se transforma em ritual vazio.
E quem já foi acusado injustamente — mesmo por um mal-entendido — sabe o que é isso.

Acusar é necessário. Desumanizar, não.

O Estado pode acusar. É seu dever, quando houver indícios.
Mas a sociedade não pode transformar esse momento em permissão para humilhar, zombar, rotular.

Uma Justiça que crê no arrependimento, na responsabilidade e na restauração não precisa desumanizar para cumprir seu papel.
Ela apenas precisa lembrar que julgar é aplicar a verdade com equilíbrio — e nunca com ódio.

Conclusão: o nome vem antes da culpa

Acusar não é igualar alguém ao seu erro.
Mesmo que haja culpa, ela deve ser apurada com técnica, não com desprezo.
E mesmo que haja punição, ela deve respeitar limites — porque há algo que nenhuma sentença pode tirar: a dignidade.

“Não façam acepção de pessoas em juízo; julguem com justiça o seu próximo.”
— Deuteronômio 1:16

FONTE/CRÉDITOS: De Fato News
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Dr. Roberto Parentoni

Publicado por:

Dr. Roberto Parentoni

Dr. Roberto Parentoni é advogado criminalista desde 1991 e fundador do escritório Parentoni Advogados. Pós-graduado pela Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie, é especialista em Direito Criminal e Processual Penal

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