De Fato News

Terça-feira, 02 de Junho de 2026
ANUNCIE SUA EMPRESA AQUI!
ANUNCIE SUA EMPRESA AQUI!

Relacionamento

Só sei que no começo, ninguém pensa no fim…

Gislene Teixeira

Gislene Teixeira
Por Gislene Teixeira
Só sei que no começo, ninguém pensa no fim…
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

O relacionamento pode começar do dia para a noite, por acaso, sem pretensão e sem razão de ser mas não acaba do dia para a noite, não acaba por acaso, não acaba sem pretensão e sem razão de ser. 

Ele acaba, em uma tarde ensolarada de domingo, ele acaba em uma noite fria de inverno, ele acaba em uma manhã de primavera. Ele acaba na mesa do jantar em uma segunda-feira, ele acaba no sábado na areia da praia, ele acaba no happy hour em uma sexta-feira.

Publicidade

Leia Também:

Ele acaba no passeio de carro pelo centro histórico de uma cidade nova, ele acaba na caminhada pelo parque, na ida à padaria ou na sorveteria no coreto da praça, na barraca de pastel na feira de domingo, na saída da missa de Santa Rita.

Ele acaba nos silêncios ensurdecedores, ele acaba na gritaria da alma, ele acaba na mente inquieta. Ele acaba no pouco caso, no descaso de um com o outro. Ele acaba na falta de tato, de jeito, de manejo, de beijo. Ele acaba na ausência de cafuné e no excesso de vigilância, de insegurança, de desconfiança.

Ele acaba na mesa posta, no prato preferido, no guardanapo de linho, na toalha rendada. Ele acaba na roupa lavada cheirando amaciante, ele acaba no arranjo de flores frescas na sacada, no pé da escada, na porta de entrada. 

Ele acaba na pipoca com manteiga compartilhada, no meio da série, debaixo do coberdrom no sofá. Ele acaba no sorriso amarelo, na fala mansa, no beijo na testa, no rosto, no selinho nos lábios cerrados. 

Ele acaba no levar e buscar no trabalho no início da manhã e começo da noite, apenas porque assim é, porque sempre foi assim. Ele acaba no churrasco de domingo na casa da cunhada, da irmã, da sogra, do amigo porque assim também sempre foi.

Ele acaba na caminhada com o cachorro no parque, na levada ao petshop, no banho de mangueira no quintal em uma tarde quente de verão. Ele acaba entre as gôndolas de queijo, vinho, salmão, arenque, chocolate e croissant no supermercado, na compra de cada item da lista para o jantar do feriado. Ele acaba no café da tarde, no presunto parma fatiado bem fininho, no pão quentinho da padaria do bairro, no café fresco, na música romântica, no ambiente climatizado. 

Ele acaba na noite da pizza, na noite do sushi, na noite de Santo Antônio, Santa Rita, Halloween. Ele acaba na viagem de férias, no bate e volta, no feriado prolongado. Ele acaba na viagem para Europa, Ásia, África. Ele acaba na viagem ali no norte ou no sul. Ele acaba no champanhe no flute cristal Baccarat, no chá inglês na xícara de porcelana Schmidt, na água saborizada. 

Ele acaba na corrida de rua, nas manifestações políticas na avenida Paulista, no parque do Ibirapuera, na praça da esquina. Ele acaba quando o suco de laranja perde o doce, quando o café amargo é mais doce que a vida a dois. Ele acaba quando o trabalho doméstico passa a ser passatempo para se manter ocupado para ocupar o tempo que teria vago, que deveria ser passado juntos. 

Ele acaba quando panelas e furadeiras, linhas e agulhas, livros e laudas substituem conversas longas, risadas altas e sussurros ao pé do ouvido. Ele acaba quando o banho demorado é momento privilegiado para ficar sozinho, mergulhar em seus desejos e delírios. Ele acaba quando esfregar o chão engordurado da cozinha já entrou no automático, quando a sopa fria está assemelhada ao olhar do outro, no outro canto da sala, no outro lado da mesa de jantar, no outro canto do sofá.

Ele acaba quando a cama, bem, quando a cama realmente a cama é o templo sagrado apenas para dormir. Ele acaba quando os pés gelados são aquecidos pelo gato. Ele acaba quando o sono chega, o coração quase para, a alma cala, quando um dorme e o outro finge dormir, quando dormir é refúgio, fuga, descanso e alívio. 

Ele acaba quando a televisão, a Netflix, o Instagram é mais legal, divertido, interativo que a vida real, presente e palpável. Ele acaba quando o tanto faz, já tanto fez, faz tempo. 

Ele acaba quando tudo é mais do mesmo, quando o hábito virou costume, quando o costume virou mesmice, monotonia, rotina, mais um caso do descaso. Ele acaba quando tudo parece normal, quando parece estar no lugar, arrumado, alinhado, organizado mas apenas parece estar tudo no lugar. 

Ele acaba quando por fora está tudo bem mas por dentro está tudo mal. Ele acaba quando por fora está tudo arrumado mas por
dentro está tudo bagunçado. Ele acaba quando é noite e você aguarda o dia, quando é dia e você apenas espera pela noite. Ele acaba quando é domingo à noite e você anseia pela mágica em poder adiantar o relógio para que as horas voem e que a segunda-feira logo chegue.

Ele acaba quando você não vê a hora de ir trabalhar, de ter com o que se ocupar além do que você está se ocupando por mais tempo que seu coração aguenta. Ele acaba quando você está na praia querendo estar na montanha, quando você está na cidade querendo estar no campo, quando você está no norte querendo estar no sul, quando você está aqui, querendo estar acolá. 

Ele acaba quando algo te incomoda, quando você se decepciona e mesmo assim você entende que o melhor é engolir a voz, as palavras, o medo, o choro, a vergonha, a tristeza, o silêncio, as lágrimas, sim ainda é a melhor ou a única opção, pelo menos por agora, por depois, por não se sabe até quando…

Ele acaba quando você sabe que já acabou mas continua ali, esperando que o tempo, a vida, o universo, Eros, Afrodite, os deuses do Olimpo, Santo Antônio, Santa Rita, Edwirges, o acaso esfregue na sua face que sim, realmente acabou, e que acabou faz tempo.  Acabou faz tanto tempo que o tempo passou, o relógio parou, a dor anestesiou, a lágrima secou, o sorriso congelou e você ali ficou.

Acabou faz tanto tempo que você se acostumou com os fins, com os términos, com os acasos, descasos e com os casos. Acabou, apenas acabou, sem brigas, sem discussões, sem estresse, acabou sem anúncio, sem alarde, sem conversa, sem comunicado. 

Acabou sem aviso prévio, não, isso não! Todos os dias chegava um aviso, prévio, direto, claro, singelo, sútil, leve, discreto, ameno, avisando que ali era o começo do fim. Sim, já fazia tanto tempo, meses quiçá anos, que o fim era certeiro mas também desacreditado, mas assim como um fantasma ele vivia entre você, eu, nós. Nós!!!

Esse fantasma dividia a cama, o restaurante à luz de velas, o quarto à meia luz, sim, raro mas às vezes rolava um clima, nas caminhadas à beira mar, de mãos dadas no parque ou no shopping aos domingos, no vinho com fondue à beira da lareira, do chopp gelado à beira mar. Pegava carona no banco de trás pelas longas estradas da vida. Dividia até o “eu te amo”, com o “fantasma”? sim, mas também com gatos e cachorros, sonhos, desejos, fantasias, fetiches e devaneios

É, sabe, essas coisas não deveriam mas acontecem. O fim chega mesmo quando ainda queremos acreditar no amor eterno, único, romântico, aquele que juramos ali ao pé do altar, para o padre, na igreja , diante de todos os nossos familiares, parentes e amigos. 

Estranho, de repente, somos traídos por nossas próprias juras de amor, verdades inquestionáveis ou será que foi o amor quem nos traiu? Às vezes, pode ser mesmo que outro amor nos “a- traiu”! Sei lá, só sei que no começo ninguém pensa no fim…

FONTE/CRÉDITOS: De Fato News
Comentários:
Gislene Teixeira

Publicado por:

Gislene Teixeira

Saiba Mais
ECO EXÉRCITO
ECO EXÉRCITO
ECO EXÉRCITO
ECO EXÉRCITO