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Domingo, 13 de Setembro de 2026
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Moradora revela que condomínio é dividido entre torre do amor e do inferno: 'Ter vizinho é como jogar na loteria'

Conforme levantamento exclusivo do Terra, casos de lesão corporal em condomínios de São Paulo tiveram súbito aumento nos últimos 5 anos

Sérgio Mendes
Por Sérgio Mendes
Moradora revela que condomínio é dividido entre torre do amor e do inferno: 'Ter vizinho é como jogar na loteria'
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"Ter vizinho é como jogar na loteria". Lúcia Mendes*, de 42 anos, não teve muita sorte ao mudar para um condomínio em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, há dois anos em busca de uma ambiente mais controlado, onde os dois filhos pudessem brincar com segurança e conforto em áreas livres.

  • Esta reportagem faz parte da série Vizinhança em Guerra, que aborda a crescente violência em condomínios na cidade de São Paulo a partir das histórias de moradores vítimas de agressões físicas, verbais e até emocionais.

Embora tente levar boa parte dos conflitos com humor, não esconde que, no fundo, existe uma preocupação real com os episódios presenciados. Em um dos casos mais graves, presenciou a agressão de um morador ao porteiro após uma encomenda ser extraviada.  

“Às vezes, você vê no aplicativo que a encomenda foi entregue, mas chega na portaria e não encontra nada. Muitas vezes, entregam para a pessoa ou apartamento errado --isso já aconteceu bastante. Por causa dessa confusão na administração de correspondências, já teve morador que partiu para cima do porteiro. Foi agressão mesmo. No meu ver, se você recebe algo que não é seu, o mínimo que se espera é que devolva, não é mesmo?”, contou Lúcia Mendes, em entrevista exclusiva ao Terra, mencionando que, em certos casos, foi necessário acionar a Polícia Militar para conter os ânimos.

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O condomínio onde Lúcia mora possui três torres, e, segundo ela, cada uma ganhou um apelido relacionado às reclamações mais frequentes dos moradores: torre da droga, do amor e do inferno. “Na primeira, onde eu moro, encontram restos de baseado [maconha] e pinos de cocaína vazios; na segunda, as reclamações são por causa de gemidos; e na terceira é onde tudo acontece”, explicou.

Em outro episódio de agressão, um morador --incomodado com o barulho que as crianças faziam na área da piscina, próxima à segunda torre-- resolveu, em diferentes ocasiões, arremessar pedras de gelo contra elas, atingindo um dos menores. A Polícia Militar foi novamente acionada, e o caso virou pauta constante nas assembleias. 

“Lembro que gerou muita comoção, principalmente por envolver crianças. Elas ficam na área da piscina, mesmo sem brincar na água, porque falta espaço de lazer. Sei que, quando descobriram o apartamento do vizinho responsável, tentaram confrontá-lo, bateram na porta, mas ele não atendeu. O que soube é que a polícia precisou intervir e o caso está, agora, na Justiça.”

‘Pedi uma medida protetiva contra minha vizinha’

Já Roberta Silva*, de 54 anos, comprou um apartamento em um condomínio no bairro do Socorro, na Zona Sul de São Paulo, com o intuito de realizar o sonho da casa própria. Porém, em menos de um ano, percebeu que a tranquilidade e o conforto não se tornariam realidade tão cedo. 

Em três anos no condomínio, Roberta já passou por diversos episódios de estresse — tantos que, segundo ela, “não dá nem para contar nos dedos das mãos”, e ela tentou. Recentemente, ela chegou a pedir uma medida protetiva contra sua vizinha no prédio.

O caso teve início poucos meses após a entrega do condomínio pela construtora. Em uma noite, Roberta passou a ouvir gritos de socorro e sons de briga vindos de um apartamento próximo. Ao conversar com outros moradores por meio do grupo de WhatsApp do condomínio, descobriu que não era a única a ouvir os barulhos. No entanto, ninguém sabia exatamente de qual unidade partiam os sons. 

Durante uma nova briga, Roberta foi até a varanda e teve um choque: viu sua vizinha, que mora em um andar superior, sendo agredida pelo marido na sacada do próprio apartamento. Segundo ela, o homem esbofeteou a companheira e a empurrou contra o parapeito metálico da área externa. A moradora acionou a Polícia Militar e autorizou a entrada dos agentes. A viatura deixou o local sem levar o agressor, e os gritos cessaram temporariamente.

Na mesma época, Roberta, junto de outros moradores, organizou uma campanha de conscientização contra a violência doméstica, distribuindo informativos pelo condomínio e promovendo palestras para ajudar mulheres a identificar e denunciar agressões. No entanto, com o passar do tempo, ela começou a sofrer retaliações e ameaças.

“Ela [a vítima de agressão] se voltou contra mim. Eles continuaram juntos, e agora ela acha que eu invadi a relação deles. Em um dos dias em que chamei a polícia, ela estava apanhando, quase pendurada na janela, gritando. Agora ela vive me ligando –de madrugada, de tarde, de manhã, à noite– briga, reclama, diz que estou fazendo barulho. E, na última ligação, me ameaçou de morte e disse que ia esfaquear minha filha.”

Diante das ameaças, Roberta foi obrigada a entrar com um pedido de medida protetiva contra a vizinha. Ela chegou a tentar uma reunião de reconciliação mediada pela administração do condomínio, mas a mulher –que ainda vive com o agressor– recusou a proposta. O caso segue sem resolução e deixa Roberta, que trabalha fora, assim como o marido, em constante receio de permitir que a filha adolescente circule sozinha pelas áreas comuns do condomínio.

Lesão corporal em condomínios cresceu 246%

Conforme levantamento realizado pela reportagem do Terra, em conjunto com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, os casos de lesão corporal em condomínios cresceram 246% nos últimos cinco anos. De janeiro a julho de 2020, foram registrados 272 casos de violência física dentro de empreendimentos e edifícios residenciais. Já no mesmo período de 2025, esse número chegou a 941 ocorrências --ou seja, quase triplicou.

Continue lendo a matéria acessando o link abaixo:

https://www.terra.com.br/noticias/brasil/cidades/moradora-revela-que-condominio-e-dividido-entre-torre-do-amor-e-do-inferno-ter-vizinho-e-como-jogar-na-loteria,466488e682bb60a5bba1429cdf49416c1xkw4vso.html

 

FONTE/CRÉDITOS: www.terra.com.br
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Sérgio Mendes

Publicado por:

Sérgio Mendes

Sérgio Mendes, brasileiro, 62 anos, Jornalista (MTB 64.505/SP), Terapêuta Fitoterápico e ambientalista há 47 anos.

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