
Em um mundo tão atordoado, tudo na velocidade turbo, acelerado, ligado no 220, instantâneo, automático e automatizado, como ficam as relações em meio a esse turbilhão?
É urgente que se faça uma análise sobre o que realmente são as relações humanas e as afetivas, românticas e conjugais.
Trazemos o histórico de casamentos arranjados e depois de tantas experiências parece que chegamos nos relacionamentos desarranjados. Até os mais experientes, mais vividos e até mesmo os especialistas precisam parar para entender como chegamos até aqui, onde estamos e para onde estamos caminhando no que diz respeito aos relacionamentos.
Precisamos reavaliar a vida afetiva, passar em revista nossos quereres, nossos desejos em relação as nossas parcerias de vida. Diga-se de passagem, bem diferente de tempos pretéritos, já não são assim tão longevos, quer dizer, podemos tirar o “tão”. E também, parece que cada vez mais, não tão longevos assim.
Relacionamentos tiveram uma reviravolta de 360 graus. Saímos dos casamentos arranjados, monogâmicos, bem, pelo menos em tese para relacionamento colorido, aberto, trisal e chegamos escancaradamente ao relacionamento “no mono”, parece que o termo é para os íntimos, os “não monogâmicos”.
Como se não bastasse os novos modelos de relacionamentos, que sim, tem para todos os gostos, ainda vivemos, já há décadas mas a cada ano mais intenso fica, parecendo uma verdadeira epidemia do divórcio.
A cultura do divórcio, parece fazer parte do cardápio das relações. Há quem case com a certeza de que inevitavelmente o divórcio chegará, só não se sabe ao certo, quando!
A cultura do divórcio é tão natural, normalizada, corriqueira que até mesmo a dor e a devastação que ele causa na alma e na vida, já está sendo normalizada. Chegam a chamar de “drama” quando alguém que acabou de passar por um rompimento conjugal, fica triste por mais que algumas poucas semanas. Como se tivesse tempo prescrito para se recuperar, para sair do que no passado chamavam de “fossa”.
Hoje, parece que não há tempo para o luto da separação, ou a própria pessoa não se permite ficar triste, e chorar tudo o que quer ou deve chorar ou os amigos, a rotina acelerada não permite. Como se tivesse perdido um “objeto” de estimação, e nada mais.
Relacionamentos são coisas sérias, seríssimas. Imagina lidar com sonhos , desejos, fantasias de uma vida inteira que de repente vai tudo por água abaixo. É preciso reavaliar a responsabilidade afetiva, a nossa e a do outro também. Se não tem certeza do que quer, se quer apenas passar tempo, se divertir ou como dizem: enquanto não encontro a pessoa certa, me divirto com as erradas.
Isso pode ser de uma leviandade extrema, portanto, há de se ter responsabilidade afetiva consigo e com o outro, também reciprocidade e transparência no que buscam, no que compartilham e o que realmente faz sentido para os dois.
Jamais brinque com sentimentos, nem com os seus e nem com o do outro. Avalie antes de se envolver e tomar decisões mais pontuais se são emocionalmente compatíveis ou até mesmo opostos. Mexer com sentimentos é por demais valioso, não se pode correr o risco de por mero descuido já entrar em um relacionamento com data de validade afetiva.
E muitas vezes já entra sabendo que o fracasso tem prazo certo para chegar, e muitas vezes, essa certeza vem, simplesmente porque busca por um relacionamento por medo de ficar sozinho, medo de envelhecer sozinho, medo da solidão.
E muitas vezes, não raras vezes, o tiro acaba saindo pela culatra, pois ao invés da solidão sozinho, vive-se a solidão a dois, que é muito pior. Pois elas chegam e mergulham nas fendas do dia a dia. No abandono afetivo, no descaso, no pouco caso, nos silêncios gritantes, quando os dois estão dividindo o mesmo sofá mas a única companhia de fato, é a série da Netflix.
Dividem a mesma cama mas quem é abraçado no meio da noite fria são dois gatos e um cachorro que compartilham dos lençóis com vocês.
Portanto, seja fiel e leal aos seus desejos, respeite-se, ame-se, tenha certeza do que quer, busca, sonha, deseja. Tenha certeza de suas escolhas e decisões, para não se machucar e também, de igual valor e importância não machucar o outro. Tenha plena consciência do que faz sentido para vocês dois.
Sim, ninguém tem bola de cristal para ter certeza de que tudo vai dar certo para sempre e que o relacionamento, o amor, o desejo e o respeito durarão para sempre, assim como as juras de amor lá do começo do relacionamento.
Sim, a vida muda, nós mudamos, os sentimentos mudam e com isso há SEMPRE o risco de tudo aquilo que tínhamos como certo, verdade real e imutável, de repente, sermos surpreendidos com mudanças, mas o que não pode, não deve, não é justo, não é leal é que já entre com planos de sair. Já entre sem ou com pouca intenção de ficar.
Relacionamento requer responsabilidade, amadurecimento, respeito, dedicação, investimento, lealdade, fidelidade, parceria, diálogo, reciprocidade, amor, admiração e muitos outros elementos essenciais para que seja duradouro, longevo e saudável.
Pense bem, não existe fórmula mágica para os relacionamentos, mas faça todo o possível para que seja duradouro. Entretanto, só faz sentido que seja duradouro se houver todos os elementos citados a pouco. Caso contrato também não faz sentido ficar em
um relacionamento, ao lado de alguém que não faz sentido de ser. Ficar por ficar, por medo de terminar, medo da solidão, medo do que os outros vão falar, medo de não conseguir dar conta das contas sozinho, nesse caso, melhor repensar dez mil vezes.
Pois quando o amor, admiração e respeito acabam fica difícil, aliás, impossível, manter o juramento de “até que a morte nos separe”, pois quando chega nesse ponto, já estão separados há muito tempo. O famoso “juntos mas separados”, “juntos mas sozinhos”. De toda sorte, quando vence o prazo de validade do relacionamento, vem sempre com o gosto amargo de fracasso.
Que a vida seja doce e leve, pois quando perde a doçura e a leveza, no final do pote vem o amargo e azedo do fim. Não entre na epidemia do divórcio, seja atento, pois muitas vezes, o divórcio começa no começo, só é inevitável que seja anunciado no fim!

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