Quem sou eu? Quando foi que você fez essa pergunta pela PRIMEIRA vez? Consegue se lembrar? Quais foram suas descobertas sobre si e suas impressões mais importantes?
Quanto tempo faz que você proporcionou à si essa experiência fantástica?
O que você fez com o que descobriu sobre você?
E agora, quando foi a ÚLTIMA vez que repetiu essa experiência?
Sim, por óbvio, você não é mais a mesma pessoa. Já mudou bastante ou até mesmo, quem sabe, mudou completamente seus gostos, saberes, prazeres, desejos, amores, profissão e interesses.
Afinal, somos resultados das nossas viagens, livros, filmes, séries, documentários, comédias. Nossas idas ao teatro, museu, concertos, óperas, musicais, shows. Nossos happy hours, palestras, encontros com amigos, churrascos, rodas de conversa, até mesmo papo de mesa de bar.
Com certeza, mais que absoluta, tudo isso fez e faz com que você não seja mais a mesma pessoa que era há uma semana, quiçá, há 1, 3, 5, 7, 10, 20, 30 anos…
Ainda assim, há quem continue pensando e agindo como há 1, 3, 5, 10 anos, como se nada tivesse mudado dentro e fora de si. E ainda quer “enxergar” os outros e ser “enxergada” como se nada houvesse mudado.
Ah, claro, nada haveria sequer, a ser sugestionado, se fossem decisões, escolhas e ações conscientes. Entretanto, em sua maioria, não são. Aqui é onde está o ponto nevrálgico da questão.
São apenas reproduções da vida cotidiana, em todas as áreas e nuances, que são seguidas, e perseguidas no automático. Sem racionalizar que tudo mudou, o mundo mudou, as pessoas mudaram e nós mesmos mudamos.
Ainda assim, continuam usando as mesmas “vestes”, já surradas pelo desgaste do tempo. Justifica que não segue “moda” e que é apenas, estilo próprio.
Perfeito, mas seu “estilo” de vida mudou. Você só não prestou atenção, ou não quis prestar atenção. Afinal, o desconforto conhecido, ainda pode ser mais confortável que o conforto do desconhecido.
O par de tênis, calça jeans, camiseta e agasalho de moletom, o “uniforme” usado desde a adolescência, já não tem mais espaço no seu guarda-roupas, para lhe “vestir”, nos espaços e funções que ocupa e transita.
Não, absolutamente, eu não estou falando de “roupas”. Estou falando de você “se” olhar, mais que isso, “se enxergar”. Se perceber, no hoje, no aqui e agora.
Acredite! Você mudou! Sim, mudou muitas vezes, ao longo de toda sua vida! Ainda assim, continua comprando a mesma marca de tênis, frequentando os mesmos lugares, está com as mesmas pessoas que já não lhe agregam nada, pois elas também já não são mais as mesmas pessoas, aquelas que faziam sentido de tê-las por perto, como referência, exemplo ou razão de ser. Continua indo aos mesmos lugares e pedindo o mesmo prato do cardápio. Aquele que você já “come” no automático, sem sentir e degustar, de fato, os sabores.
Por que? Vai no automático, praticidade, hábito, costume ou medo de mudar, experimentar, ousar e quem sabe, errar, desgostar, se decepcionar ou se frustrar, com novos “sabores”. Não, não estou falando de “comida”.
O velho, antigo e conhecido “prato”, já não desperta mais seus sentidos, mas também, tanto faz, o paladar já se acostumou, já está “anestesiado”. Você quer APENAS, “matar” a fome. Sem precisar pensar, ousar, escolher, decidir e experimentar “novos sabores”.
É assim, que você tem feito com tudo em sua vida? E como é que você se atreve a reclamar que se sente sozinho em meio a multidão, no ambiente de trabalho, familiar e até mesmo, no seu relacionamento afetivo, amoroso, romântico, conjugal?
A nobre matéria-prima das relações, é “gente”. Gente é gente, gente que sente, gente que muda, gente que evolui. Gente é curiosa, gente é interativa, gente aprende, gente ensina, gente inova, gente sente, gente ama, gente chora, gente ri. Gente sente medo, alegria, felicidade, tristeza. Gente sonha, gente se decepciona, gente cai, gente levanta. Gente se rasga, se emenda e se remenda. Gente muda o tempo todo, todo o tempo.
Você já se “enxergou” no espelho hoje? Já abriu seu guarda-roupas e “enxergou” suas vestes? Já se “enxergou” por dentro hoje?
Já “enxergou” seu marido, esposa, namorado(a), seu parceiro(a)? Já “enxergou”seu relacionamento? Será que está apenas vivendo no automático também? Levando um dia após o outro? Sem viver, de fato, um relacionamento. Sem prestar atenção e “enxergar” que está ali ao seu lado. Sim, eu sei, às vezes, muitas vezes, o outro também não te “enxerga”. Aliás, como “enxergar”quem divide a cama, mesa, banho, sonhos, fantasias, a vida conosco, quando nem mesmo sabemos, quiçá, “enxergamos” nossos próprios sonhos, desejos, prazeres, medos, faltas, ausências, angústias e decepções?
Sim, nossos fantasmas! Todos nós temos fantasmas que nos assombram, ainda que em segredo, total segredo. Por vezes, guardamos esse segredo até de nós mesmos. Aquela “Caixa-preta” de nossos medos, traumas, frustrações e decepções que nem ousamos mexer. Imagine então dividir com quem divide a vida conosco.
De todas essas reflexões, até aqui, afinal, quem é você?
Quem é seu parceiro de vida? Qual é a vida real que vocês compartilham? Vida real, de sentidos e sentimentos, medos, prazeres, amores e fantasias. Não, não apenas a vida real, que vocês dividem e compartilham sobre boletos, chuveiros queimados e torneiras gotejantes, e ainda sobre cardápios para o jantar. Não apenas mensagens no WhatsApp com listas de compras de última hora no supermercado: sabão em pó e pó de café. Nem da padaria: trazer pão quentinho e 300g de queijo fatiado bem fininho. Tampouco, pedindo para retirar o frango do freezer, que foi esquecido durante o dia. Nem o pedido para dar banho ou trocar as fraldas do Enzo, Valentina, Catarina. Também não a obrigação de levantar uma hora mais cedo, lá pelas 5h, em uma manhã gélida de inverno, para lavar o espaço e alimentar gatos e cachorros.
Tudo isso são meras atividades rotineiras de qualquer casa, e qualquer pessoa que compartilhe um “teto”, até mesmo, colegas que dormem no quarto ao lado.
Falo mesmo, de quando é que vocês se “enxergam” como um casal? Como duas pessoas que escolheram e decidiram se unir. Que decidiram compartilhar quem vocês são, de verdade!
Você realmente sabe com quem você está dividindo a cama e a VIDA?
Conhece os sentimentos, sonhos, medos e desejos de HOJE, de quem está dormindo ao seu lado ou conhece apenas quem era aquela pessoa e seus sentimentos desde quando se conheceram, há 10 anos?
Será que está apenas dormindo e acordando, fazendo listas de supermercado e obrigações com boletos, filhos, familiares e pets há 3, 5, 7, 10, 20, 30 anos, no automático da vida?
Será que você está sendo fiel e leal ao seu casamento, como está sendo àquela marca de tênis, desde a adolescência? Aquele mesmo “molho ao sugo” na massa, por medo de ousar experimentar um “puttanesca”, novos sabores. E por isso, dia após dia, você continua na rotina, na mesmice, sendo e entregando alguém que você já não é mais, mas você ainda não conseguiu “enxergar”, quem você é, HOJE?
Até quando, você viverá no passado, em uma “roupa” que não lhe serve mais? Até quando vai usar “roupas” inadequadas, apenas, porque são de marcas sofisticadas e ou confortáveis?
Até quando vai oferecer ou aceitar aquilo que não reflete ou não condiz com a pessoa com quem você se tornou?Até quando vai oferecer ou receber e se contentar com o que não lhe supre mais suas reais necessidades, afetivas, intelectuais e tantas outras, apenas porque sempre foi assim, porque já se acostumou, e porque já faz tanto tempo que está assim e assim é…
Quando é que você vai parar e “enxergar” sua felicidade, e o sentido de ser quem é, estar onde está, com quem está, fazendo o que faz?
Pare! Pare tudo o que está fazendo e vá para o cantinho do pensamento e “enxergue”, o real motivo pelo qual , você está fazendo o que faz, aceitando o que aceita, está onde está, entrega o que entrega.
Por que aceita o que entrega e recebe? Está bom mesmo, isso é tudo ou apenas é assim, porque é , e você não sabe nem porque é assim, só sabe que é?
Ao final, tenha certeza de que é capaz, de entender, decidir e “enxergar” , o que precisa ser consertado, ajustado, negociado, descartado na sua vida. Afim de que possa trazer felicidade, leveza, amores, prazeres , razão de ser e vida, para sua VIDA!
Gislene Teixeira

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