
Relacionamentos começam com um olhar, um sorriso, até mesmo uma mera admiração, seja por uma roupa, cabelo, um trabalho, uma gentileza.
Começa com uma palavra, normalmente despretensiosa, uma retórica esvaziada ser objetivos, mas de repente, encontra razões de ser, razões para mais. Mais um encontro, mais um café, mais um elogio, mais uma vez…
De vez em vez, o que era imotivado, deixa de ser. O que era sem razão de ser, encontra mil e uma razões de ser, fazer, fazer de novo, de novo, de novo e refazer quantas vezes mais sejam possíveis para estar perto, estar junto, fazer sentido de ser.
É assim que de vez em vez, de quando em quando, de quando em vez que os laços são feitos, refeitos, buscando razões para que laços, elos e alianças sejam a razão de ser.
Entre laços e alianças, a vontade de ver, de estar juntos, a espera pelo amanhecer para poder ver, falar com o outro, ainda que seja banalidade cotidiana.
E assim, sem perceber e quando se dá conta, o outro já é o último pensamento da noite e o primeiro da manhã. Já é o último boa noite e o primeiro bom dia. Já é a última mensagem antes de fechar os olhos e a primeira após abrir os olhos.
Desta forma, sem perceber, sem intenção de ser, a admiração, emoção, sentimentos, já estão inseridos nas ações e pensamentos do dia, de todos os dias.
Assim, nasce a paixão, que se os dois tiverem entregues à ela, com certeza, viverão a melhor fase da vida, pelo menos, dessa paixão. Por óbvio, que nos apaixonamos mais de uma vez, de algumas vezes na vida, mas a maior paixão é sempre a última, a do momento.
Se tudo der certo, essa paixão será vivida, e se correspondida, como toda paixão, será aquele furacão espetacular na vida. Aquela que dá cor, brilho, forma, jeito, gosto, cheiro e razão de ser. Será sempre o motivo de “quero mais”.
Nesse passo, vivenciar a paixão, transformar em amor e apenas viver um grande amor. Fazer esse amor florescer, construir uma família, com filhos e por vezes, até netos, estilo a famosa “família margarina”.
Um dia, percebe-se que o brilho já não brilha tanto, que já está meio opaco, meio assim, meio estranho, meio sei lá. Um dia, o amor vai perdendo a cor, fica tudo meio desbotado, sem graça e percebe-se que a rotina, as contas, os problemas, os desafios engoliram dia após dia, aos poucos, a conta gotas, em doses homeopáticas tudo aquilo que foi construído com tanto carinho, detalhe, cuidado, afeto, amor e esmero.
Nesse dia, após dias de longas e silenciosas reflexões, chega o dia que é o dia D, o último dia, o dia do fim…
Para bem de todos, cada um vai viver sua vida, refazer suas vidas, novos lugares, olhares, sorrisos, amores e paixões. E sim, juntando os cacos, as pedras espalhadas pelo caminho quando da destruição, a vida se reconstrói…
A vida se reconstrói? Sim, a vida se reconstrói, começa tudo novamente, nova paixão, novo ciclo, como o vivido anteriormente. Até que um dia, esse ciclo, segue exatamente os mesmos passos do ciclo anterior.
O brilho já não brilha tanto, a cor já está meio opaca, o desejo já precisa ser procurado com lupa para ser encontrado, e assim, bem, assim como o começo do fim…
Um dia, a gente percebe que nas voltas que a vida dá, a gente volta para o começo da volta do começo. E a gente percebe que às vezes, o brilho que havia sumido era apenas uma nuvem bastante carregada e espessa que encobriu e impedia que o brilho realmente brilhasse.
Um dia, percebemos que por inexperiência, impaciência e imaturidade achamos que a cor tinha sumido mas era apenas uma camada de poeira, que por descuido, inobservância, e desatenção deixamos que ali escondesse o que de mais precioso e nobre existia: o amor, parceria, cumplicidade, respeito, admiração…
Um dia, a gente para para voltar a atenção para dentro e vemos que basta um “espanador”, um “aspirador de pó”, uma “faxina”, um “lustra móveis”, que sim, o brilho volta exatamente como era antes. Percebemos que tudo continua ali, que foi mero descuido que sim, nas voltas que a vida dá, ela se encarrega de colocar tudo no mesmo lugar.

Comentários: