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Terça-feira, 02 de Junho de 2026
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Relacionamento

Há dores que não devem ser aliviadas…

Gislene Teixeira

Gislene Teixeira
Por Gislene Teixeira
Há dores que não devem ser aliviadas…
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Sim, eu sei, soa bastante estranho  esse olhar de dores que não devem ser aliviadas, não devem ser medicadas e sim, passar longe de analgésicos. E também que não seja acelerado a cicatrização dessas machucaduras, mas que elas fiquem “abertas” o tempo necessário para entender, porquê exatamente elas doem.

Não, longe de sadismo, ou qualquer outra visão semelhante, mas sim, enxergar a vida com olhos que a realidade exige e não camuflar as dores, feridas, amarguras. 

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Quando a alma sangra, o coração  dilacera e a vida desmorona, não há que tapar o sol com a peneira, com paliativos para mascaram a vida cinzenta e traz um tom de cor-de-rosa. 

No começo, tudo são rosas! Os relacionamentos começam com ares de romance de Hollywood. A paixão, o encantamento e o namoro. Que fase encantadora, realmente, apaixonante.  Precisamos lembrar que namoro é  uma fase que dá vontade de guardarmos em uma caixinha e guardar para sempre. 

Mas não, deve acabar. Namoro ou acaba e cada um vai para seu canto, por algo se quebrou em meio a esse conto de fadas , pude tão espetacular, ele vai para a fase seguinte e evolui para o noivado e casamento.

Essa é a evolução natural, bem, pelo menos, é o que traz no script.  Que controverso, um paradoxo: reza a lenda que namoro foi feito para terminar e casamento para durar para sempre. É isso, já foi “verdade” quando não havia divórcio. Será que era melhor ou pior? Sim, as pessoas eram obrigadas a seguir com um casamento que muitas vezes, já estava morto e sepultado, mas tinha que fazer de conta que estava tudo bem. Valia a máxima: o que não tem remédio, remediado está!

Essa época ficou no passado! Hoje o que não tem remédio…bem, tudo tem remédio, ainda que seja daqueles bem amargos, mas eles existem. A grande questão é, quando tomar esse “remedio”? 

Não é com qualquer “dorzinha” que a gente deve máscara os sintomas com analgésicos, porque não temos coragem de sentir a dor e passar pelo processo. Não, não estou falando de dor física, nem literalmente. Estou falando das “dores” dos relacionamentos quando deixam de ser cor-de-rosa e tudo doce, como um lindo algodão doce, em festa de criança.

Quando a fase da lua de mel, da admiração, do respeito começa a ser uma doce lembrança mas já não faz mais sentido no presente. É hora de respirar fundo, tomar coragem e enfiar o dedo naquela ferida aberta, e entender como ela chegou nesse ponto. O que aconteceu que de um mero arranhãozinho, a ferida se alastrou? 

Não, anestesiar ou tomar analgésicos não é a solução e está longe de ser uma atitude inteligente. Mascarar, varrer a sujeira para debaixo do tapete, não resolve, apenas retarda o problema.

Pare, e entenda que ali há uma ferida, que sim, dói. E que precisa ser diagnosticada primeiro para ser medicada depois. O inverso não funciona, mas piora muito. O diagnóstico, requer maturidade, coragem e diálogo franco, aberto, sincero e principalmente com respeito, empatia e uma dose cavalar de querer resolver o que está machucando, doendo, ferindo e por vezes, matando aos poucos, a admiração, a paciência,  o respeito, a convivência, o desejo e o amor.

Revelar as rachaduras no relacionamento é o primeiro passo para poder buscar a solução. Não há de se fingir que não está vendo, que não está incomodando, que não está doendo. Quanto mais o tempo passa, pior fica. É como uma doença, se diagnosticada no início pode ter cura, mas se deixar o tempo passar, lá na frente, pode ser que nada possa mais ser feito.

Há situações que parecem bobas,  pequenas demais para se importar, para falar, para expor, para compartilhar. Nessa de pequena demais, simples demais, boba demais, é assim que essas situações vão ganhando musculatura. Há situações você pode até não querer falar, pode até querer “desver”, fazer de conta que não ouviu, não viu, não descobriu, mas não tem jeito…

Fazer de conta, não vai resolver nada, muito pelo contrário. Vai avolumar e sim, interferir até mesmo nas situações mais simples do seu cotidiano conjugal. Até aquele selinho de bom dia, perde a graça, perde a cor, perde o brilho, perde a razão de ser. Às vezes, por um mero detalhe, que a gente achava que era pequeno demais, para trazermos à tona. E quando se percebe, o ficar calada, fez esse detalhe pequeno demais ser como o monstro do Lago Ness…

Ele se torna grande demais para ser escondido, esquecido, e ele acontece nos detalhes, nas entrelinhas, nos senões, nós serás, nos talvez e nos quem sabe um dia, quem sabe depois. E ao invés de falar, expor, resolver, você vai guardando e como um grão de areia, você vai guardando e quando se dá conta, ali tem uma montanha intransponível, e onde está essa montanha? Dentro de você, dividindo espaço com seus pensamentos, roubando espaço dos seus sonhos, suas alegrias, seus sorrisos. 

Os sonhos, alegrias, felicidades, desejos, amores deixam de gritar aos quatro ventos e passam a sussurrar, cada vez mais baixinho,  ecoando dentro da mente, do peito, na alma, os medos, tristezas, incertezas e desilusões.

Não adianta, mudar o cenário, o figurino, se a história e os personagens são os mesmos. Não adianta mudar de CEP, quando  o que está doendo você carrega dentro de você. O que quero dizer? Sim, as vezes, casamentos acabam e realmente não há como resgatar relacionamentos falidos mas isso é ás vezes, algumas vezes, alguns relacionamentos, alguns casamentos. 

Outras tantas vezes, antes de chegar ao fim, há muito o que ser feito.  Não deixe os grãos de areia se avolumarem até ser uma montanha. Lembra do namoro que acaba? E que foi “promovido” para a fase seguinte? Volte lá na época do namoro, daquela paixão avassaladora, e refaça o caminho, e resgate: o que vocês faziam naquela época que levou vocês para a fase seguinte?

O que havia lá de tão extraordinário que enlaçou, envolveu vocês? Onde está tudo aquilo? Onde vocês se perderam? Por que? O aconteceu? 

E vocês vão deixar assim, tudo ruir, ir por água abaixo? Quando tudo parece estar perdido, temos que tomar decisões. Enfie o dedo na ferida, tire “o corpo estranho” de dentro dela, higienize, suture, cuide, aí sim, medique e espere cicatrizar.  Cicatrizes, mostram que ali houve uma ferida, uma lesão, uma cirurgia que foi preciso para te resgatar à vida. 

Cicatrizes não são feias, são marcas de que você lutou e venceu, pela vida, pelo relacionamento, pelo amor. Eu espero que você “enfie o dedo na ferida” quantas vezes for preciso, quantas vezes, você decidir, escolher que querer e que ainda não é o fim. Só não anestesie para mascarar a dor e nunca procurar o verdadeiro diagnóstico do que te faz sentir dor, adoecer e até mesmo morrer entalada com os gritos do silêncio, aqueles que você engoliu para silenciar…

O limite da dor? O limite para saber até onde ir? Até quando ir? Para essas perguntava, apenas você tem as respostas. Certas ou erradas? Apenas você saberá!

FONTE/CRÉDITOS: De Fato News
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Gislene Teixeira

Publicado por:

Gislene Teixeira

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