Quem já passou dos 60 anos ao caminhar pelas ruas do centro da cidade de São Paulo se surpreende com o descaso que se encontra, a região central de São Paulo, especialmente o Centro Histórico, enfrenta diversos desafios e riscos que afetam a segurança e o bem-estar dos moradores e visitantes.
Nos anos 80, era um prazer indescritível caminhar de mãos dadas com a namorada pela Avenida São João em direção ao antigo Cine Comodoro. Inaugurado em 1959, foi a primeira sala de cinema do Brasil a ter o sistema de projeção Cinerama com três projetores em uma tela curva, que "abraçava" a plateia. Foi também o primeiro a ter o sistema de som "sensurround", que fazia a sala tremer, de tão potente que era.
Pessoas paravam em frente a Praça Júlio Mesquita para fotografar a Fonte Monumental que, acesa era um verdadeiro espetáculo! Hoje, tirando o verde das plantas, dá tristeza de ver o que restou de seu antigo glamour. Na ausência de policiais, moradores de rua e usuários de drogas ocupam suas áreas e a noite defecam e urinam nos caminhos dos pedestres.
Cortar caminho sozinho pela Rua Conselheiro Nébias e Alameda Barão de Limeira, paralelas às avenidas São João e Rio Branco, ou pela Rua Vitória e Aurora entre às avenidas Ipiranga e Duque de Caxias era rápido, fácil e seguro. Hoje, poucos ousam correr o risco de um assaltado ou se acidentar nos montes de lixo espalhados pelas calçadas.

Monte de lixo na Rua Aurora, próximo a Avenida São João
A Avenida Vieira de Carvalho sempre limpa e arborizada, com suas vias de mão dupla e prédios bem desenhados era um charme à parte que conduzia as pessoas de paladar apurado ao tradicional Restaurante "O Gato que Ri", no Largo do Arouche. Hoje, o cheiro de prostituição em suas calçadas vazias.
Independente das crises econômicas que assolaram o país, a região central sempre teve um comércio forte e robusto ao redor da Praça da República. Hoje encontramos inúmeras portas de prédios comerciais fechados com placas de ALUGA-SE ou VENDE-SE.
"Temos um toque recolher aqui na região da República. Quando chega perto das 17 horas os comerciantes ficam agitados, atentos ao avanço do pessoal da cracolândia. Muitos preferem baixar as portas e irem embora para não correrem risco de depredação", afirmou o comerciante Robério Santos da Robério Hortifruti e Mercado, na Rua Vitória, 679 - Campos Elíseos.

Robério Santos sempre pronto a atender com carinho seus clientes em sua Hortifruti na Rua Vitória
O reflexo da atual situação é o impacto negativo que atinge diretamente a economia local e, consequentemente a conservação dos prédios residenciais que trazem a aparência dos cortiços do início do século passado. Os comerciantes que persistem em tocar o seu negócio na região, colocam grandes de proteção para que não tenham as portas arrombadas durante a noite.
A prefeitura todos os anos envia a cobrança do IPTU. A proposta deste imposto não é investir em melhorias nas áreas dos moradores e estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços que o pagam?
São Paulo precisa de políticas públicas mais eficientes e medidas urgentes que venham reverter a atual situação que parece não ter solução. A coisas está tão fora de controle que a Cracolândia passou a abrir filiais nos bairro da periferia. É o errado que deu certo servindo de exemplo!
O Portal de Notícias De Fato News faz a pergunta que não quer se calar: "A culpa é de quem?"
Como pode a maior e mais rica cidade do Brasil passar por uma crise deste nível expondo seus munícipes ao risco de vida?
São perguntas que esperam respostas há anos. E, enquanto isso, é um tal de sai e entra prefeitos e vereadores e nada de novo acontece.
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