“Mulheres solteiras não andam com mulheres casadas”, quantas dessas “verdades” já ouvimos?
Esse ditado é antigo, eu não entendia e não concordava, depois concordei, depois voltei a discordar. A única concordância é que não há uma concordância em fazer disso uma regra única, inquestionável.
Tudo depende de cada caso, cada situação, cada pessoa. E ainda vou ampliar esse olhar, discussão, interpretação e reflexão. Por óbvio que há exceções, e por óbvio, também há, olhares distintos para as mesmas situações, a depender, de inúmeros fatores.
Um grupo de mulheres casadas, falam sobre a rotina de mulheres casadas. Mulheres com suas carreiras, falam de suas carreiras. Médicos falam sobre medicina, advogados sobre Direito, psicólogos sobre psicologia. Mulheres mães, falam de seus filhos e ainda há recortes por faixa etária dos filhos: bebês, crianças, pré adolescentes, adolescentes e adultos. Avós falam de netos. Universitárias falam de assuntos universitários. Solteiras falam do universo da solteirice, casadas do universo das casadas. Quem tem pet fala de pets. Quem é jovem fala sobre a juventude, quem é idoso fala sobre o universo da pessoa idosa.
Sim, obviamente que não estou dizendo que sejam pessoas e grupos de um assunto só, mas sim, que é uma tendência. Obviamente que se não for um grupo específico para determinado assunto, em algum momento outras temáticas virão à tona.
A questão é que se o assunto gira em torno de bebês, as mães de bebês na mesma idade ou próxima, se entrosarão mais. Quem não é mãe, ficará meio perdida, e pode sim, “palpitar” mas sem o selo de garantia do tal “lugar de fala”. E quem é mãe mas já passou dessa fase de bebês, por exemplo, se for o tema em pauta, ela tem lugar de fala, quer dizer, não muito. Ela sabe do que estão falando e mais que isso, tem propriedade e experiência.
Entretanto, ela tem experiência dela, de um tempo pretérito, do que funcionou com ela, na época dela. A depender, passa a ser até mesmo descredibilizada, ironizada ou até mesmo olhada com ar de quem quer ditar regras, mesmo sem querer.
Fato é, esse tal “lugar de fala”, você pode ter e com selo de garantia. Ainda assim, é sempre prudente e de bom tom, conferir se está validado sua fala naquele momento, naquele espaço, naquele grupo, naquele contexto. Sim, muitas vezes, é preciso avaliar se vale a pena! É preciso avaliar se você não vai se incomodar em falar ou não falar, e o mesmo vale para quem está ali.
Muitas vezes, apesar de ter lugar de fala, selo de garantia, ainda assim, não é prudente, falar, expor sua opinião, debater, confrontar ou debater fatos e opiniões.
Há situações que vale muito mais a pena se afastar e calar. Afinal, você tem razão e o outro também, apesar de você não concordar com as atitudes e maneira de pensar do outro e nem o outro com as suas. Não há erros, muitas vezes, há apenas pontos de vista distintos, vivências, experiências, conhecimentos e realidades vividas de maneiras distintas.
Compartilhar opiniões, conhecimentos e experiências é fantástico e necessário mas nem sempre prudente e inteligente.
Seja inteligente, às vezes, é não expor seu ponto de vista, é tudo o que você deve fazer. Ainda mais, quando ninguém pediu sua opinião.
Se você sabe, conhece ou já conseguiu avaliar, que nesse grupo, há alguém difícil de lidar, então, para que levantar questões que de nada servirá, a não ser, gerar polêmica, palavras ásperas, cara feia e quem sabe até perder uma amizade. Totalmente desnecessário mas se ainda assim, quando perceber , a conversa já chegou nesse ponto, então, seja inteligente e mude de assunto, se estiver falando de filhos e esse é o pomo da discórdia. Olhe para o céu e diga: Olha parece que vai chover!
Como dizia minha sogra: “o silêncio é ouro, e a palavra é prata!
A vida é dinâmica, as mudanças acontecem em um ritmo impossível de acompanhar, ainda quando temos certeza de algo, na verdade, há muitas incertezas nas certezas. Há o elemento desconhecido, as novidades, que não estamos inteiradas.
Prime sempre pela harmonia, pela escuta ativa, interaja, sim, claro mas avalie o como, quando, e se não for para agregar, reavalie sua postura. Isso vale para todos os tipos de relacionamento. Desde familiar, fraterno, romântico, profissional e todos quantos houver.
Escuta ativa, empatia, acolhimento, harmonia, parcimônia, respeito pela experiência, bagagem e história
do outro sempre é a melhor trilha a seguir. Maturidade, sabedoria não tem a ver com idade, diplomas, cargos e muito menos posses. Tem a ver com humanidade, com saber vestir as sandálias alheias. E respeitar os prazeres e as dores do outro.
Relacionamentos conjugais acontecem com duas pessoas que decidem se unir, entretanto, trazem realidades, famílias, culturas, tradições, bagagem de vida distintas um do outro. Amor não sustenta relacionamento, mas sim, relacionamento sustenta o amor.
Não queira impor sua realidade de vida ao outro, não queira dizer que sua experiência de vida é certo e do outro errada. Não queira ser dono da verdade, sabichão ainda que tudo aponte para essa situação. Não seja pessoa de um assunto só, não seja melodia de uma nota só, não seja paleta de cores de um tom só.
A vida é plural, portanto, se quer se relacionar com leveza, não há outro jeito a não ser leve com as pessoas, com a vida. Relacionamentos são escolhas, acredito que é mais inteligente quando pessoas escolhem ter paz a ter razão, ser feliz a ter razão.
E você o que tem escolhido nos relacionamentos: paz e felicidade ou razão?
Gislene Teixeira

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