De Fato News

Quarta-feira, 28 de Outubro de 2026
ECO EXÉRCITO
ECO EXÉRCITO

Advocacia

Perdão não é impunidade: o papel da justiça mesmo quando há arrependimento

Dr. Roberto Parentoni

Dr. Roberto Parentoni
Por Dr. Roberto Parentoni
Perdão não é impunidade: o papel da justiça mesmo quando há arrependimento
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Falar sobre perdão em tempos de polarização e sede por punição pode parecer provocação. Mas é justamente nesses momentos que precisamos lembrar: o perdão é um valor essencial da fé cristã — e ele não se opõe à justiça. Pelo contrário: ele a fortalece quando bem compreendido.

Confundir perdão com impunidade é um erro que pode custar caro. Para a vítima, que precisa ser reconhecida. Para o acusado, que precisa responder com responsabilidade. E para a sociedade, que precisa confiar que o sistema funciona com equilíbrio — e não por vingança.

Perdoar não significa esquecer o que aconteceu
No Evangelho, o perdão nunca foi sinônimo de “fingir que nada aconteceu”. Jesus perdoava, sim, mas também pedia mudança, conversão, reparação. O perdão cristão é, antes de tudo, um convite à transformação — não uma licença para repetir erros.

Publicidade

Leia Também:

Da mesma forma, o Direito Penal não deve ser movido por ódio, mas por responsabilidade. Quando alguém comete um crime, deve responder por ele. E se houver arrependimento sincero, isso deve ser levado em conta — sem jamais anular o processo legal.

Justiça não é vingança — é reparação com dignidade
O papel da justiça criminal não é destruir vidas, mas restaurar a ordem. Sim, há consequências para atos ilícitos, mas elas devem vir com proporcionalidade, humanidade e legalidade.

Na prática, isso significa que o sistema deve ser capaz de diferenciar quem age com dolo, quem se arrepende, quem busca reparar. E mais: deve dar espaço para que a dignidade humana seja preservada, mesmo no erro.

O desafio da opinião pública e o papel da escuta
Nem sempre a sociedade está pronta para aceitar que alguém possa mudar. Em muitos casos, o clamor público exige penas máximas, sem escutar contexto, história, ou sinal de arrependimento. Mas a Justiça precisa ser maior que o grito. Precisa ser racional, técnica e humana.

Aqui, o trabalho do advogado é fundamental: mostrar os fatos com clareza, apontar os direitos e garantir que nem mesmo um réu arrependido seja tratado como descartável.

Perdão e justiça podem caminhar juntos
Uma justiça justa sabe acolher o perdão — não como desculpa, mas como parte do processo. Reconhecer o erro, pedir perdão e pagar o preço são atos de coragem. E o Direito, quando bem aplicado, deve dar espaço para que essa coragem tenha consequências construtivas, e não apenas destrutivas.

Cristo não relativizou o erro — mas também não o usou como sentença eterna. Esse é o desafio: julgar com firmeza, sim, mas também com olhos que enxergam o ser humano por trás da falha.

Fraterno abraço,
Roberto Parentoni
Advogado criminalista

FONTE/CRÉDITOS: De Fato News
Comentários:
Dr. Roberto Parentoni

Publicado por:

Dr. Roberto Parentoni

Dr. Roberto Parentoni é advogado criminalista desde 1991 e fundador do escritório Parentoni Advogados. Pós-graduado pela Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie, é especialista em Direito Criminal e Processual Penal

Saiba Mais
ANUNCIE SUA EMPRESA AQUI!
ANUNCIE SUA EMPRESA AQUI!
ECO EXÉRCITO
ECO EXÉRCITO