
Olhe para dentro!
Ditado popular, “roupa suja se lava em casa”, que deve ser incorporado genuinamente na conjugalidade. O mesmo vale também, para o outro ditado: “o que ninguém sabe, ninguém estraga”.
Fato é, que aprendemos esses ditados populares, mas não levamos a sério, falamos apenas da boca para fora.
Já para analisar por que não focamos, de verdade, em nossos relacionamentos? Por que levamos tudo de qualquer jeito, levamos tudo no automático. Não damos a devida atenção ao nosso(a) cônjuge. Quando tudo está bem, seguimos, afinal, time que está ganhando não se mexe.
Quando tudo está dando errado, bem, quando está dando errado, tendemos a dar mais atenção do
que quando está tudo bem. Mas ainda assim, não levamos tão a sério.
De modo geral, ficamos com raiva, fazemos birra, brigamos, desaguamos nossas mágoas com amigos próximos, colocamos o outro diante do pior cenário, diante do caos que nosso relacionamento está mergulhado.
Ficamos bravos quando em nossos desabafos, de nossas crises conjugais, alguém ousa pontuar que o outro está certo e nós errados. Em verdade, não paramos para pensar seriamente sobre o que aconteceu, digo, o que aconteceu antes de chegarmos no olho do furacão.
Fazemos tantos recortes que deixamos de analisar o todo, e principalmente, de maneira imparcial. Sem que puxemos “a brasa para nossa sardinha”, sem que estejamos mergulhados na carência da lógica.
Conversamos mais com os outros que com nossos cônjuges sobre nossos sentimentos. Por que? Oras, simples, por medo, por receio, por insegurança, por amor…
Por amor? Sim, por amar demais, sentir demais, pensar demais. Pensamos, sentimos, imaginamos que se, de fato, ousarmos expor nossas fragilidades, vulnerabilidades, podemos “perder” o outro, decepcionar o outro, afastar o outro. O medo de tirarmos nossas máscaras, aparecermos de “cara lavada” e sermos rejeitados.
Pensamos sempre que sabemos exatamente o que outro espera de nós, em cada uma das situações. Entretanto, nem sempre isso é uma realidade. Quando nos damos conta, muitas vezes, anos depois, que realmente, conseguimos entender o que vivíamos no automático.
Há ainda aquele outro ditado “só dá valor depois que perde”, será? Depende! Em grande medida sim, mas não é exatamente, dar valor depois que perde, mas sim, parar para enxergar que o que tínhamos, vivíamos e cuidávamos no automático, sem muito tato, sem muito jeito, sem muito zelo, e que acreditávamos que sempre estaria ali, já não está mais.
Deixamos que o cotidiano roube nossa vida, nossos sonhos, nosso brilho, nosso cotidiano. Na correria, aprendemos a dar valor apenas ao que interessa. E normalmente, acreditamos que o que interessa está fora, o trabalho, fazer dinheiro, as reuniões, o estudo, até mesmo a diversão, mas não, o que realmente interessa está dentro. Sempre do lado de dentro, dentro de nós mesmos, dentro de casa, dentro, sempre dentro.
Sendo assim, quando tudo estiver dando certo, olhe para dentro. Quando tudo estiver dando errado, olhe para dentro. E sim, é um exercício para ser feito a dois, pois de nada adianta ou bem pouco efetivo é, quando um olha para dentro e outro olha para fora.
O caminho se faz caminhando, e que seja caminhando para o mesmo lado, lado a lado, juntos, olhando para dentro. Sim, claro, existe “fora” mas só depois que o “dentro” estiver bem ajustado, arrumado, alicerçado, estruturado, alinhado.
Caminhe lado a lado, olhando para dentro, compartilhando com sucessos e desafios com quem está dentro, dentro de casa, dentro do jogo, dentro da vida que um dia escolheram e decidiram que caminhariam juntos.
Se ainda assim, algo fugiu ao seu controle ou do outro, saiu dos trilhos, desandou… que pena! Isso acontece, mas acredite se há amor, carinho, respeito, admiração e até uma família construída, pare onde está, volte dez casas, retome àquilo que é importante.
Não existe tarde, existe tomar
uma decisão. Não existe tarde, existe, na ausência de atitude, o arrependimento. O tempo não volta, mas ações podem ser revistas, revisitadas e fazer um caminho diferente.
Não cabe a ninguém retomar o rumo da sua vida. Não cabe a mãe, pai, irmãos, cunhados, amigos, a sociedade, líderes religiosos. Felicidade é uma construção, seja você o engenheiro, arquiteto, mestre de obra, servente de pedreiro da sua própria vida.
A vida passa rápido, quando não permita ser engolido por erros, falhas, decisões mal pensadas, impensadas. Olhe para dentro, volte-se para dentro, que lá está o real motivo de viver o que é importante para você. Lá está o real motivo de viver suas verdades, paixões e amores. Aquilo que realmente é a sua real essência de vida, e você sabe disso. Não se deixe enganar, não perca tempo, o tempo passa rápido. Se você se distrair, se demorar, pode ser que não dê tempo de retomar o tempo perdido.

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