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Terça-feira, 13 de Outubro de 2026
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Distrito - Bela Vista

Um túnel de 50 metros foi escavado debaixo da Avenida Paulista para unir dois prédios de um museu sem interromper a cidade acima

Três claraboias permitem enxergar os pedestres na superfície

Domingos Poeta
Por Domingos Poeta
Um túnel de 50 metros foi escavado debaixo da Avenida Paulista para unir dois prédios de um museu sem interromper a cidade acima
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Debaixo do passo apressado da Avenida Paulista, uma travessia de quase 50 metros mudou a circulação do MASP. O novo caminho liga os edifícios Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi, enquanto três claraboias deixam a rua aparecer sobre a cabeça dos visitantes. Assim, engenharia, arte e cotidiano paulistano passam a dividir o mesmo percurso.

Como o MASP criou uma passagem sob a Avenida Paulista?

A ligação subterrânea nasceu da necessidade de transformar dois edifícios separados pela rua em um único percurso museológico. Em 2021, a Prefeitura de São Paulo autorizou o uso da área pública para construir a conexão entre os números 1578 e 1510. O projeto também precisou conciliar patrimônio, redes enterradas e circulação intensa em uma das calçadas mais conhecidas de São Paulo.

Depois, a obra avançou sob uma das calçadas mais movimentadas do país. A construção usou um método invertido, com teto e contenções executados antes da escavação interna. Dessa forma, o fluxo de pedestres na Paulista continuou, embora intervenções viárias pontuais tenham ocorrido no entorno durante os trabalhos. A solução evitou abrir toda a extensão do percurso subterrâneo de uma só vez diante do museu.

2021: Prefeitura autoriza a passagem subterrânea entre os dois edifícios.
 
2023: Começa a primeira fase da construção sob a calçada da Paulista.
 
2026: A passagem abre ao público e integra definitivamente o percurso do museu.
 
A ligação transforma quase 50 metros de subsolo em circulação interna – Foto: Eduardo Ortega / MASP

Quase 50 metros ligam dois edifícios do MASP

O número do título não é arredondamento aleatório. O decreto municipal descreve uma frente de 49,57 metros para a área projetada da passagem e registra 322,83 m² de área pública utilizada. Além disso, o documento define a estrutura como ligação para fluxo de público e uso técnico. Essa faixa subterrânea atravessa o espaço entre o edifício histórico e o imóvel incorporado ao complexo cultural. Portanto, a medida oficial ajuda a explicar por que o novo percurso costuma ser apresentado como um túnel de 50 metros.

O METRO Arquitetos explica que a conexão subterrânea integra funcionalmente o conjunto. Para o museu, isso significa mover visitantes, equipes, equipamentos e obras sem sair à rua. O edifício Pietro Maria Bardi acrescenta 7.680 m² e 14 pavimentos, com galerias, escola, laboratório, restaurante e áreas técnicas. Assim, a passagem também encurta deslocamentos internos entre atividades que agora ocupam edifícios diferentes. Portanto, ela funciona menos como atalho e mais como infraestrutura interna de um complexo cultural dividido pela Paulista.

Três claraboias colocam a calçada dentro da experiência

As três claraboias quebram a sensação de isolamento comum a passagens subterrâneas. Elas deixam a luz natural entrar e permitem observar silhuetas e passos de pedestres na superfície. Enquanto isso, quem caminha acima cruza a calçada sobre um percurso cultural que existe poucos metros abaixo. Esse contato visual cria uma relação incomum entre o ritmo acelerado da avenida e o deslocamento mais lento dentro do museu. Portanto, olhar para cima se torna parte da própria travessia.

O interior também abriga Pietrolina, trabalho de Beatriz Milhazes concebido para a passagem. A intervenção soma cerca de 98 metros nas duas paredes, com pintura e elementos reflexivos. Além disso, a composição usa formas orgânicas, faixas e referências ao carnaval dentro de um ambiente construído para circulação. O contraste muda conforme o visitante avança e recebe a luz que chega pelas claraboias. Assim, a travessia deixa de ser apenas deslocamento e transforma a passagem subterrânea em parte da experiência artística do MASP.

Obra de Beatriz Milhazes transforma passagem sob a Paulista – Foto: Eduardo Ortega / MASP

Como visitar o MASP e atravessar a nova passagem?

O visitante pode acessar o complexo pela região da Avenida Paulista e circular entre os dois prédios dentro do próprio museu. A estação Trianon-MASP, da Linha Verde, é a referência mais direta para quem chega de metrô. Além disso, o ingresso regular permite visitar as exposições disponíveis no dia. Quem entra pelo conjunto encontra galerias distribuídas nos edifícios Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi, agora conectados internamente. Assim, não é preciso retornar à calçada para mudar de prédio durante a visita.

Segundo a página oficial de visitação do MASP, a entrada inteira custa R$ 85 e a meia, R$ 42. Terças têm gratuidade, enquanto sextas oferecem entrada gratuita a partir das 18h. O museu fecha às segundas e recomenda reserva online, inclusive nos períodos gratuitos. Portanto, conferir horários e ingressos antes de sair evita mudanças de programação ou lotação no dia escolhido. Também vale reservar tempo para percorrer os dois edifícios sem transformar a passagem em simples corredor.

Um museu em dois prédios

O novo caminho resolve uma questão prática e transforma deslocamento em experiência dentro de um endereço cultural conhecido de São Paulo. Sob a avenida, arte, engenharia e vida urbana aparecem no mesmo enquadramento, enquanto a superfície continua pulsando poucos metros acima. As claraboias lembram que museu e cidade continuam conectados, mesmo quando o visitante atravessa o subsolo. Se você passar pela Paulista, vale percorrer essa ligação sem pressa e olhar para cima durante o caminho.

 

FONTE/CRÉDITOS: https://olhardigital.com.br/
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